Aluísio Pinheiro Ferreira

De Madeira Mamoré
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Precedido por Júlio Müller (como governador de Mato Grosso) Governador do Território Federal do Guaporé de 1º de novembro de 1943 a 7 de fevereiro de 1946 Sucedido por Joaquim Vicente Rondon


Aluísio Pinheiro Ferreira, paraense e descendente da tribo dos Caetés, nasceu no dia 11 de maio de 1897, em Bragança no Pará e teve seu falecimento em 19 de dezembro de 1980, no Rio de Janeiro.

Aluízio Pinheiro Ferreira

Família e Estudo

Filho de Raimundo Nazeazeno Ferreira e Melquíades (Sinhá) Pinheiro Ferreira. Aos 18 anos ingressou na Escola do Realengo, tradicionalmente militar, localizada no Rio de Janeiro, permanecendo até os 22 anos, de 1916 à 1921, respeitando a hierarquia militar ao receber e assumir graduação de aspirante a oficial de artilharia, o primeiro posto antes de ser um oficial da carreira militar.

Principais atuações

Rebelião e Fuga para o Vale do Guaporé

No dia 23 de julho de 1924, os militares situados em Manaus, procurando demonstrar críticas ao poder estabelecido, diretamente para evidenciar o abuso que estava ocorrendo por parte dos civis, em especial dos oligarcas que estavam controlando o governo, deflagraram a rebelião.

Ganhando proporção, a rebelião liderada por tenentes no Amazonas chegou à de Óbidos, com o objetivo de dominar o forte e posteriormente Belém, ambos no Pará que, pela posição estratégica do forte e da cidade, abrigava a concentração das operações militares, no entanto, por falta de estrutura e logística, os rebeldes não conseguiram avançar, ficando restritos à Óbidos, ainda sim controlando a passagem de todas as embarcações que navegavam pelo Rio Amazonas até o dia 28 de agosto de 1924, quando o movimento, já enfraquecido, sofre forte repressão por forças federais.

Após o fracasso do golpe de 1924 fez com que ele fugisse para o Vale do Guaporé, fixando suas atividade no seringal laranja, pertencente a Américo Cassara.

De Oficial Militar, trabalhador braçal, prisão e absolvição

No Seringal Laranjeira Aluísio Ferreira desempenhou diversas funções, das braçais à participação na administração do barracão.

Na condição de trabalhador braçal e em meio à floresta, resgatando suas origens indígenas, realizou estudo sobre estes nativos locais, dando total ênfase aos Makurape.

Após 4 anos do fracasso de sua empreitada na rebelião de Óbidos como oficial militar, refletindo sobre sua situação de analogia à escravidão, foi convencido pelo Marechal Rondon e se entregar ao exército e assim o fez, ficando em primeiro instante preso na capital paraense durante sete meses, até seu julgamento e absolvição.

Da prisão para ascensão profissional e política

Enquanto esteve preso em Belém, Aluísio Ferreira tentou expor suas pesquisas ao General Rondon, obtendo êxito ao demonstrar o resultado de suas pesquisas sobre os indígenas do Guaporé, impressionando Rondon pelo detalhamento das observações realizadas, tanto que, para manter Aluísio Ferreira próximo o convidou para assumir a subchefia do posto telegráfico de Santo Antônio do Rio Madeira, sendo subordinado ao Tenente Emanuel Amarante, detentor da chefia do posto telegráfico, adaptando-se rapidamente e, por já ter adquirido conhecimento durante os anos que viveu na região e pela proximidade com o Rondon, passou a fazer contato com a cúpula política de Manaus e Belém, estando totalmente integrado já em 1930

Aluísio Ferreira estava tão inteirado com a política que, durante a revolução de 1930 foi cogitado para ser o interventor do estado do Pará, mas em parte por seu histórico, o cargo acabou ficando para o Tenente Joaquim Barata.

Em seguida assumiu a chefia do posto telegráfico de Santo Antônio, oportunidade que utilizou para percorrer os rios do Atual Rondônia.

O Amigo e Líder

Com o governo provisório de Getúlio Vargas, Aluísio Ferreira viu uma oportunidade para sua carreira profissional, uma vez que seu histórico como líder revolucionário atestavam incontestavelmente sua capacidade de liderança e articulação.

Rondon, acusado de corrupção administrativa, foi defendido junto ao governo por Aluísio Ferreira, em gratidão à confiança que havia recebido do então General.

Aluísio Ferreira também foi o responsável por impedir a retirada dos postes telegráficos da linha entre Cuiabá e Guajará Mirim.

Ferrovia Madeira Mamoré

Em 1929 Madeira-Mamoré Railway Company, então administradora da Ferrovia, demitiu diversos funcionários, devido a diminuição da produção da borracha nativa e consequentemente a utilização das locomotivas, agravado pela depressão de 1929, no entanto, com o objetivo de manter seu funcionamento e a atividade econômica local, Aluísio Ferreira fez acordo para doar trinta contos de réis mensalmente à Companhia, o que não a impediu de suspender seu tráfego.

Vendo as ações locais sendo tomadas pela administração da ferrovia e prevendo seu total desaparelhamento, temendo com não conseguir reativá-la posteriormente, Aluísio Ferreira expôs a situação e seu temor ao José Américo de Almeida, Ministro de Viação, que autorizou Aluísio a tomas as medidas necessárias para que cessasse de imediato a desativação da ferrovia e, sem perda de tempo foi tomada a decisão de ocupação da ferrovia e sua nacionalização, que teve seu processo iniciado imediatamente, sendo oficialmente publicado no dia 10 de julho de 1931, através do Decreto Lei nº 20.200 promulgado pelo então presidente Getúlio Vargas.

Consolidação e Reconhecimento Político

O presidente Getúlio Vargas tem diversas assessorias de confiança e, dentre estas uma das mais importantes, o Conselho de Segurança Nacional que, em 1939, ao perceber a necessidade de habitar uma vasta área do território nacional, sugere a criação de territórios federais e, na oportunidade, Aluísio Ferreira sugere o nome de Rondônia ao território que seria ocupado pela área pertencente ao Alto Rio Madeira e, por descendência indígena e seus estudos realizados, sugere que a capital tenha o nome de Caiari, o nome que os índios haviam dado ao Rio Madeira.

Aluísio Ferreira vê parte de seus sonhos tornarem realidades no dia 13 de setembro de 1943, quando o presidente Getúlio Varga sanciona o decreto lei nº 5.812, desmembrando terras do Estado do Amazonas e Mato Grosso, criando então o Território Federal do Guaporé.

Em 1943 Aluísio Ferreira, já então Coronel, passa a ser o primeiro governado da Capital Federal do Rio de Janeiro, assumindo o cargo no dia 24 de Novembro.

Pelo decreto-lei 5.812 de 13 de setembro de 1943, o presidente Getúlio Vargas junta terras dos Estados do Amazonas e do Mato Grosso, criando o Território Federal do Guaporé com quatro municípios.

Aluísio Ferreira, aceita com extrema alegria ser o primeiro governador do Território Federal do Guaporé, assumindo e consumando a instalação no dia 24 de janeiro de 1944, em solenidade realizada no colégio Barão do Solimões.

Aluísio Ferreira teve empenho decisivo para independência de Rondônia, sendo incontestavelmente reconhecido, gerando assim inúmeras homenagens, destacando em Porto Velho seu nome do estádio e uma das mais importantes praças, além de uma escola Estadual em Rolim de Moura receber seu nome.

Trajetória Política

  • Em 1930 Aluísio Pinheiro Ferreira foi nomeado delegado do governo provisório da região do Rio Madeira, tornando-se a maior autoridade local.
  • Em 1936 Aluísio fez um discurso sobre a importância de uma obra de extrema importância, a rodovia do Mato Grosso ao Amazonas;
  • Em 1931 torna-se o diretor geral da [[Estrada de Ferro Madeira Mamoré;
  • Em 1940 conseguiu fazer com que Getúlio Vargas ficasse por três dias em Porto Velho, sendo que sua programação inicial era de apenas três horas, ocasião em que usou de sua influência e prestígio para convencer o Presidente a criar o Território Federal do Guaporé, no entanto incluindo a região de Porto Velho que até então pertencia ao Amazonas e não somente a de mato grosso;
  • em 1944 tornou-se o primeiro governador do Território Federal do Guaporé, governando de 24 de janeiro de 1944 a 07 de fevereiro de 1946, ano em que pediu exoneração do cargo para concorrer as primeiras eleições para deputado federal;
  • em 1947 foi eleito deputado federal;
  • em 1950 e 1958 foi reeleito deputado federal, criando a guarda territorial, também sendo o idealizador da BR 364;
  • em 1962 retira-se da vida política, fixando sua residência no Rio de Janeiro;


Homenagens