Bairro Caiari de Porto Velho

De Madeira Mamoré
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Getúlio Vargas Inaugurando as casas do Bairro Caiari
Bairro Caiari

Construção e destinação inicial

Construído em 1938 foi destinado ao corpo gerencial e burocrático da Estrada de Ferro Madeira Mamoré.

Nele encontra-se o primeiro conjunto habitacional entregue a sua população, a praça das Três Caixas D'Água, a Praça Aluísio Ferreira, a Escola Barão do Solimões e a Catedral Sagrado Coração de Jesus. Construído em 1938 foi destinado ao corpo gerencial e burocrático da Estrada de Ferro Madeira Mamoré.

Nele encontra-se o primeiro conjunto habitacional entregue a sua população, a praça das Três Caixas D'Água, a Praça Aluísio Ferreira, a Escola Barão do Solimões e a Catedral Sagrado Coração de Jesus.

Federalização e desenvolvimento social

Em 10 de julho de 1931, por intermédio do decreto nº 20.200, o governo federal assumiu a administração da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, até então sob o controle da empresa anglo-canadense The Madeira-Mamoré Railway Company, sendo nomeado superintendente o tenente do exército Aluísio Pinheiro Ferreira para administrar a ferrovia, o qual, após sanar os problemas de déficit financeiros passou as ações sociais, tais como as instalações de escolas nos locais, com dez ou mais crianças, os professores contratados pela ferrovia, a construção do prédio para instalar o grupo escolar Barão do Solimões, mesmo essa unidade escolar sendo do governo do Amazonas e a construção de um conjunto habitacional, o primeiro do Brasil, com área de lazer (a atual praça Aluísio Ferreira), instalações elétricas, água encanada, sanitários, varandas, com casas residenciais para operários vila Erse e para funcionários administrativos e técnicos, constituindo-se o conjunto no Bairro Caiari, situado entre as atuais Avenida Pinheiro Machado ao norte, Avenida Carlos Gomes ao Sul, Avenida Presidente Dutra ao Leste e Avenida Farqhuar a oeste.

Mobilização de recursos

Com muito empenho e através de excelentes e verdadeiros argumentos, Aluízio Pinheiro Ferreira adquiriu os recursos financeiros através do Ministério de Viação e Obras Públicas.

Origem do nome Caiari

Vários nomes foram sugeridos para o Bairro, no entanto, o nome foi escolhido foi o Caiari, que na língua Tupy-Guarany significa madeira em cima d’água, devido o período chuvoso das construções em que utilizava-se a madeira para deslocar objetos pesados e para servir de base de apoio para armazenamento, ficando com águas por baixo, ficando a madeira parcialmente submersa nas poças de água.

Inauguração oficial

Foi inaugurado em 11 de outubro de 1940, conjuntamente com a usina de eletricidade, atual prédio da Eletrobras, na Avenida Sete de Setembro e o edifício dos Correios e Telégrafos, na atual Avenida Presidente Dutra, esquina com Avenida Sete de Setembro, pelo presidente da república, Dr Getúlio Dorneles Vargas, em visita a Porto Velho.

Perfil atual

Atualmente o Bairro Caiari continua sendo um bairro residencial, com seus moradores antigos ou seus descendentes, entretanto alguns pontos comerciais, tais como bares, lojas, escritórios, consultórios, entre outros, instalaram-se aos arredores das ruas do bairro.

Delimitação e tombamento histórico

O conjunto original de casas geminadas foi tombado como bem de patrimônio material pelo IPHAN, o que protege suas fachadas e volumes originais. O Bairro Caiari está delimitado pelos bairros Arigolândia, Olaria, São Cristóvão e Centro.

Características arquitetônicas

As residências projetadas na década de 1940 seguem o estilo bangalô, com telhado de duas águas, piso elevado para ventilação natural, varandas amplas e revestimento em madeira de lei. Cada imóvel contava com rede de água encanada, instalação elétrica e sistema de ventilação projetado para amenizar o clima equatorial.

Cronologia da construção e mão de obra

A pedra fundamental foi lançada em 1938, dando início à construção de 11 casas geminadas na primeira etapa, executada pela mão de obra dos guardas territoriais. Uma segunda fase se estendeu até 1948, ampliando o conjunto e concluindo parte da Vila Erse, que mais tarde daria lugar ao Centro Cultural Ivan Marrocos.

Manifestações culturais e folclóricas

Desde a década de 1940, o bairro foi palco de diversas manifestações populares: na Praça das Três Caixas D’Água concentrava-se a “Banda do Vai Quem Quer” e nasceram ali os blocos carnavalescos Do Alho, Do Pinto e Rio Kaiary, ainda ativos na programação de rua durante o carnaval local.

Integração com a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré

O traçado original da EFMM corta parte do bairro, e várias casas mantêm paredes que serviram de depósito temporário de cargas e oficinas leves para manutenção de trilhos. Esse diálogo entre arquitetura residencial e infraestrutura ferroviária reforça o caráter pioneiro do Caiari como extensão da ferrovia na cidade.

Evolução contemporânea

Hoje o bairro preserva seu perfil residencial, mas soma pontos comerciais de pequeno porte, como cafés, ateliês e clínicas médicas. O Centro Cultural Ivan Marrocos, instalado no antigo espaço da Vila Erse, recebe exposições, encontros literários e eventos musicais, mantendo vivo o legado social de Aluísio Pinheiro Ferreira.